Lembro-me que no início eu me achava o super-cristão, o escolhido de Deus, o intocável, sem pecados, o melhor, e isso acabava me fazendo olhar algumas vezes com certo desprezo para algumas pessoas, principalmente as não-cristãs. E isso me perseguiu por um tempo, até que Deus me colocou em meu devido lugar. Ele, pela sua infinita misericórdia, mostrou-me o que está escrito em Lucas 22:26 – O mais importante deve ser como o menos importante; e o que manda deve ser como o que é mandado. O grande problema é que alguns ainda não entenderam isso, e continuam onde eu estava, quem sabe além.
O julgamento é condenado na Bíblia em diversas passagens, dentre elas em Mateus 7, que diz: Não julguem os outros para vocês não serem julgados por Deus. Mas infelizmente isso tem sido uma realidade constante em nosso meio, principalmente entre os cristãos. O que dizer sobre os olhares e palavras que lançamos sobre os homossexuais, prostitutas, assassinos e viciados que vemos por aí diariamente? Isso me lembra que certa vez estavam três jovens cristãos e eu em um carro, quando passamos próximo a um prostíbulo, onde havia uma garota na calçada. Um de meus companheiros logo disse: pomba-gira dos infernos. Eu então chamei sua atenção sobre a maldição que havia jogado sobre a moça, e posteriormente parei para refletir quantas vezes nós temos a mesma atitude deste meu acompanhante, independente do local, situação ou pessoa que nos rodeia. Não foi essa a mensagem que Jesus nos passou. Em I Coríntios 4:5 diz: Portanto, não julguem ninguém antes da hora; esperem o julgamento final, quando o Senhor vier. Ainda no capítulo 4, versículo 7, diz assim: Quem é que fez você superior aos outros? Não devemos e nem podemos julgar as pessoas, não com esse objetivo, pelo contrário, nós cristãos devemos nos entender muito bem com os pecadores. Jesus disse que deveríamos deixar o trigo e o joio crescerem juntos. Não devemos nos afastar ou quem sabe, já sair expulsando demônios de alguém, mas sim nos achegar a eles e demonstrar amor, o amor de Deus. Amor puro e verdadeiro, capaz de perdoar qualquer coisa. Que em momento algum olha para o exterior de alguém, mas para a mais profunda parte do coração. Além disso, resisto a idéia de retirar Deus de sua posição de juiz, pois não tenho conhecimento nem autoridade para julgar qualquer pessoa que seja. Como se pode saber o que leva as outras pessoas a fazerem o que fazem? Paulo diz em Romanos 2:1 – Meu amigo, não importa quem você seja, você não tem desculpa quando julga os outros. Pois, quando você os julga, mas faz as mesmas coisas que eles fazem, você está condenando a si mesmo.
A homofobia está entre os maiores e mais vergonhosos escândalos dessa época. É assustador ver o moralismo intolerante das pessoas que insistem em se comportar como se fossem mais santas do que Deus. Pessoas religiosas são facilmente levadas pela ditadura da homofobia – talvez ainda mais que as outras. Nós, como filhos de Deus, estamos amadurecendo no seu afeto, a ponto de não sermos contra, mas a favor dos outros – todos os outros – de forma que nenhum ser humano nos seja estranho. A ponto de poder tocar a mão de outra pessoa com amor. A ponto de não haver “outros” para nós. E isso é coisa para uma vida inteira. É um longo processo gradual de tornar-nos como Cristo no modo que pensamos, falamos e vivemos cada dia.
Termino o artigo com uma frase que pode resumir bastante coisa, e que me foi fundamental para abrir meus olhos: Corações de pedra só transformam em coração de carne quando entendemos a tristeza dos excluídos – nunca antes disso!
Fiquemos na paz, e que Deus nos abençoe e nos ensine dia após dia a termos uma vida fiel e verdadeira como a dEle.
Em Cristo,
Kinha Camacho
Artigo escrito com base em consultas no livro FALSOS, METIDOS E IMPOSTORES, de Brennam Manning, onde são tirados alguns trechos completos.
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